Relato de Parto da Cassia Conejo | Nascimento do Diego

Parto Normal Hospitalar Humanizado em Maringá

No dia 28 de junho de 2015, mais ou menos às 19:20, nasceu o Diego em um lindo parto normal hospitalar humanizado. Apesar de meu marido e eu morarmos em Umuarama, ele nasceu em Maringá, nossa cidade natal e onde mora nossa família. Bom, vamos à nossa história!
Aos 31 anos de idade e depois de um ano de casada (e três de relacionamento), eu e meu marido Maycon resolvemos que era a hora de ter um filho. Por ele até esperaríamos um pouco mais, mas eu tinha medo de esperar muito e ter problemas para engravidar. Como eu tomei pílula a vida toda por conta de um quadro de ovário policístico achei que demoraria para engravidar. Paramos a pílula em agosto de 2014. Qual não foi nossa surpresa quando no início de novembro, apenas dois meses depois de começarmos as tentativas, estávamos grávidos!
Meu marido e eu curtimos muito a gravidez e a barriga do Diego! Conversávamos com a barriga, fizemos ensaio de fotos com 32 semanas, fomos a várias festas de casamento (6 casamentos no decorrer de toda a gestação!). Bom, o Diego foi muito desejado e amado desde o primeiro momento de surpresa e aquela aflição boba quando descobrimos a gravidez e não sabemos bem o que fazer!
Eu sempre pensei em ter meus filhos via parto natural. Eu e meu irmão nascemos assim. Nunca achei certo marcar uma cirurgia em dia e hora pré-definidos. Mesmo antes de engravidar já vinha me informando sobre as condições dos partos em nosso país e a realidade me entristecia muito. A partir do momento que me vi grávida intensifiquei o processo de me informar e fui me empoderando. A possibilidade passou a ser o plano: ter o Diego em Maringá, cidade natal minha e do Maycon. Desde que casamos moramos em Umuarama que fica a 150km de Maringá, duas horas de carro mais ou menos, e por aqui não existe parto, os médicos são maciçamente cesaristas e mesmo os partos normais que eventualmente acontecem são cheios de intervenções.
O plano, então, era que eu trabalharia até a 37ª semana de gestação e iria para Maringá esperar pela hora que o Diego decidisse vir. Meu marido ficaria em nossa cidade trabalhando e iria para Maringá quando eu de fato estivesse em trabalho de parto ativo. Embora eu me consultasse mensalmente em Umuarama com um obstetra que acompanhava meu pré-natal, em Maringá me consultava também a cada dois meses com meu antigo obstetra, o Dr. Edson Rudey, um dos poucos profissionais a oferecer uma assistência humanizada à mulher. Também encontrei uma doula no Maternati que durante toda a gestação me ajudou com informação e a tirar minhas dúvidas mesmo eu estando longe.
No dia 26 de junho completei 38 semanas e me consultei com o Dr. Edson. Em consulta anterior meu marido perguntou a ele se meu “plano mirabolante” ia dar certo, foi engraçado que nessa consulta ele se lembrou disso e falou pro Maycon “é parece que o plano mirabolante está dando certo!”. Tão acessível, depois do parto, o Dr me disse que ficou com um pouco de receio do Maycon por conta da insegurança dele, mas que acabou se surpreendendo com a atitude dele na hora do vamos ver. Eu nunca duvidei que ele estaria comigo me apoiando na hora do nascimento do nosso filho! E ele estava, me apoiando, querendo aliviar a minha dor e até se sentindo impotente por não poder fazer nada. Só depois, acho, ele entendeu que o fato dele estar comigo durante todo o trabalho de parto já era um alívio e uma massagem em minha alma.
Na madrugada do domingo dia 28, com 38 semanas e 2 dias, comecei a sentir as contrações e comecei a perder o tampão também. No sábado tinha me sentido estranha, com vontade de ir ao banheiro o dia todo. Naquele sábado fomos dormir super cedo na casa da minha sogra, em Maringá. E quando acordei por volta das 2 da manhã com aquela dorzinha tipo uma cólica de menstruação sabia que o Diego estava chegando! Não consegui mais dormir porque a cada cochilada vinha a dor, durava alguns segundos e passava. Os intervalos entre as dores eram de 20 ou 15 minutos. Lá pelas 6 da manhã meu marido percebeu minha agitação e perguntou o que estava acontecendo, eu disse que o Diego estava querendo nascer! Ficamos na cama até umas 8 e pouco da manhã, então levantamos e fomos falar com a família, minha sogra, meu sogro e meu cunhado mais novo que estavam em casa. A família sabia de nossa decisão por um parto natural, sabia que ficaríamos em casa o máximo possível e isso foi respeitado.
Em meio às dores, tentei tomar café da manhã, comi um pouco, tomei um chá e resolvi tomar um banho, um longo banho quente, para me certificar de que não era um pródromo. E não era. As dores continuaram, ritmadas. Liguei para a doula que me orientou a como monitorar as contrações. Pela manhã tive dificuldade em fazê-lo, então fui descansar, me deitei de lado, única posição em que me sentia confortável, mas não consegui dormir por conta das dores constantes. Almocei um caldo de feijão com arroz e um suco de cenoura com laranja e depois do almoço minha sogra veio me ajudar a monitorar as contrações. Quando vinha a dor ela tocava minha barriga até senti-la rígida marcava o tempo e depois marcava o intervalo. Continuei em contato com a doula que viria me ver no fim da tarde. Lá pelas 3 da tarde as contrações fortes começaram a se seguir uma da outra e o intervalo entre elas já era menor do que 10 minutos. Liguei para o Dr. Edson que sugeriu mandar uma enfermeira para me examinar. Só que entre 3 e 4 da tarde com contrações vindo de 5 em 5 minutos a bolsa estourou e o doutor me disse para ir ao hospital fazer uma consulta. Não era preciso sair correndo, o líquido estava claro. Ainda tomei um banho, meu marido arrumou as coisas e fomos para a maternidade Santa Rita.
À tarde, com a intensificação das contrações, eu tinha que ficar em pé, levemente inclinada para frente e instintivamente vocalizava um “aaaaaaa” para melhor suportar a dor. Na recepção do hospital, enquanto meu marido e sogra preenchiam os papéis, eu seguia esse ritual, concentrada e tranquila (e as pessoas em volta provavelmente me achando a louca!). Ficha pronta, passei pela enfermeira para a pré-consulta e fui para a sala de consulta com a plantonista – se é que dá pra chamar o que aconteceu de consulta! Eu ali na frente dela com contrações a cada 5 minutos e a doutora nem olhou na minha cara, perguntou quem era meu médico, disse que ia mandar chamá-lo, levantou e saiu.
Logo o Dr. Edson chegou, rápido mesmo, examinou os batimentos do Diego e me disse que eu precisaria deitar na maca para ser examinada. Explicou que seria somente daquela vez e que eu podia esperar passar a dor para me deitar. E ele fez o toque e me disse que já estava com quase 8 cm de dilatação e que o Diego logo ia nascer! E correu apressar minha internação. Deviam ser cerca de 5 horas e pouco.
Fomos para o quarto. A doula logo chegou me auxiliar. Continuei ativa, na hora da contração me abaixava de cócoras, conforme o doutor orientou, recebia massagens da Renata também (não quis bola nem chuveiro, só queria estar livre para ficar na posição que quisesse). O doutor monitorava o Diego de tempo em tempo. Eu não precisava mudar de posição, ele se abaixava, sentava no chão esperando. Logo dilatação total e veio a vontade de fazer força. A ocitocina daria lugar à adrenalina! O ritmo das contrações é outro no expulsivo. Experimentei a banqueta, me levantei mais uma vez, abraçada ao meu marido na hora da contração. Eu havia colocado um avental do hospital, nesse momento – eu acho – arranquei o avental e fiquei nua, mais livre. E voltei pra banqueta, o Maycon atrás me sustentando. Após não sei exatamente quantas contrações eu queria que o Diego nascesse. Tive medo nessa hora. Medo de dar algum problema, de precisar ser operada. Aí veio mais uma contração e eu fechei os olhos – nessa hora, acho, as luzes foram apagadas – e eu fiz força, muita força, e gritei como um animal por instinto e fiz o Diego nascer! Talvez devesse ter tido mais calma, pois tive uma super laceração, mas eu nem senti, nessa hora final não senti dor, ou se senti meu corpo estava anestesiado pela adrenalina! Eram 7:20 da noite aproximadamente.
O Diego veio para meus braços. Quieto e quente. Não sei quanto tempo se passou, me lembro do doutor cortando o cordão e logo em seguida a placenta saiu, sem nenhuma dor. Como não tive tempo de escolher um pediatra fomos atendidos pela do plantão. Então o doutor pediu para que eu entregasse o Diego pra examinar. A pediatra o examinou no bercinho do quarto e me disse que iria fazer o procedimento de desobstrução anal nele e eu, ainda na banqueta, disse a ela que não fizesse. Logo o Diego voltou pra mim. Eu subi na cama com ele em meu peito e o doutor examinou meu períneo. Como a laceração foi grande, tive que ir para o centro cirúrgico para a sutura e o doutor permitiu que o Diego ficasse comigo. A doula, a meu pedido, foi conosco ao centro cirúrgico e enquanto eu era suturada o Diego foi pro peito e mamou, pegou o seio lindamente e mamou o colostro que após o parto já era produzido.
Fiquei com ele pele a pele por horas! Já eram mais de 10 da noite quando meu marido o pegou e foi até o berçário para que ele tomasse o primeiro banho, fosse pesado e medido e tomasse as vacinas. Eu fiquei um pouco fraca, mas no dia seguinte já me sentia ótima. Naquela noite ficamos nós três saboreando nossa primeira noite juntos e felizes como nunca. Em nossos corações, meu e do Maycon, só havia espaço para aquele amor novo e tão imenso e delicioso que tenho certeza nos acompanhará por toda a vida.

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