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Relato de Parto Normal Fernanda Pigozzo | Nascimento da Sofia

Foi no dia 7 de abril do ano passado, após quase 42 semanas de gestação que minha vida tem outro valor na sua existência. Foram 2 mil quilômetros que viajei entre Vilhena-RO e Maringá-PR para tentar ter o meu parto normal humanizado tão sonhado, somados há quase dois meses sem o conforto dos braços do meu amado marido que chegou dias antes do parto. Minha estadia se dividiu entre as casas de meus progenitores (que o foram quando era solteira) hoje com suas respectivas famílias (mãe: Engenheiro Beltrão; pai: Rolândia). Quando meu esposo chegou adicionamos mais um destino, a casa da avó dele em Maringá. Além disso, como pano de fundo uma mudança: meu marido havia sido transferido poucos minutos antes do meu embarque, nós iríamos morar em uma minúscula cidade no interior de Rondônia, a qual era desconhecida para mim.
Bom, voltamos ao dia 6 de abril às 2 da madrugada. Eu, meu esposo e um casal de amigos estávamos tomando sorvete quando começou a me dar dor nas costas. Eu sabia o que aquilo significava, entretanto depois de ter passado uma semana da data provável do parto, não queria criar grandes expectativas. Dormi bem a noite toda, mas a dor persistiu o domingo todo, e com elas vieram contrações pequenas. Tivemos um almoço com familiares de meu marido e voltei a dormir de tarde.
Mal sabia eu que a hora estava chegando. Após assistirmos a estreia mundial de Game of Thrones, fato que marcou a vida da tia Sônia, fomos comer um lanche perto da maternidade. As contrações estavam mais frequentes, resolvemos que iríamos passar na maternidade só para eu ser examinada. Nesse momento, já tínhamos entrado em contato com minha doula do Maternati, que havia nos sugerido não ir ainda, mas teimosos, inexperientes, empolgados… fomos à maternidade.
Meia noite e lá estávamos nós sendo examinados pelo médico plantonista. Três e meio de dilatação, ele não quis nos liberar e entrou em contato com meu médico Dr Edson Rudey. A reação do meu marido super otimista foi: Nossa tudo isso!
Mal sabíamos que era muito pouco.
A maternidade vazia, exceto por uma outra grávida e sua mãe de péssimo humor, brigando por uma cesárea naquele momento e me aconselhando a fazer o mesmo. kkkkkk…
Já que a maternidade estava vazia (domingo, né, ninguém marca cesárea) ficamos na recepção assistindo TV e batendo papo com a recepcionista, que era bem legal, quando chegou nosso médico, todo no estilo “acordei agora”. Ficamos com muita dó, não queríamos que ele fosse chamado naquele momento, mas o plantonista insistiu. O Dr Edson Rudey nos enviou para o quarto… agora era oficial: Sofia ia nascer.
A madrugada até passou rápida, muitas contrações, enfermeiros entrando e saindo o tempo todo, monitoramento do coraçãozinho da Sofia.
Logo pela manhã minha doula chegou. Meu marido foi dormir no sofá, enquanto nós duas caminhávamos pelos corredores da maternidade visando acelerar o trabalho de parto. Por volta do meio dia, fizemos o famoso exame de toque novamente e desde a noite anterior eu mal evolui um centímetro de dilatação. Então concluímos que o trabalho de parto estava muito lento. O Dr Edson Rudey sugeriu que algo deveria ser feito, pois estava muito demorado e corria o risco de ficar muito cansativo e eu acabar pedindo uma cesárea, o que nenhum de nós queríamos, ele sugeriu entrar com ocitocina. Aqui é importante dizer que o ambiente hospitalar para trabalho de parto é meio estressante porque fica aquela pressão de que tem que acontecer, por isso o legal é ir para o hospital quando você já não tá dando conta, ou, não tá mais conseguindo andar…
Voltando ao meu trabalho de parto…
Eu sabia que, se entrássemos com ocitocina sintética, sentiria muita dor e meu cérebro não liberaria as substâncias do parto natural que tem muitos benefícios. Minha doula Renata sugeriu um prazo para que eu tentasse comer, tomar banho, descansar, e voltaríamos a tentar novamente.
E foi bem isso que fiz, ou pelo menos tentei, almoçar em meio às contrações não permitiu que a comida ficasse no meu estômago, tomei um bom banho e deitei tentando descansar. As contrações estavam espaçadas e não tão fortes, portanto suportáveis, mas não o suficiente para uma soneca. Eu estava com a bola de pilates em cima da cama com meu marido do lado, quando a Mayara Coutinho, também doula, deu uma passada para ver como estavam as coisas, o que foi muito significativo pra mim, pois com sua voz doce e jeito meigo me fez confrontar alguns medos, em meio a lágrimas desabei…
Depois de um tempo, minha doula voltou e recomeçamos as caminhadas pelo corredor e a sensação que eu tinha era que a qualquer momento meu bebê iria chegar, mas parecia que não ia sair de dentro mim, é eu sei, isso é bem estranho…
Passou o prazo e aproximadamente às 16:00 fui examinada novamente pelo Dr Edson Rudey e não havia evoluído nada, o clima estava um pouco tenso, o trabalho de parto muito lento e o medo de que acabasse em uma cesárea descnecessária nos levou a iniciar a ocitocina. Eu estava com muito, muito medo, mas eu tinha muito mais medo da cesárea, ainda mais por saber que iria para um centro cirúrgico e a bebê não ficaria comigo assim que nascesse e eu estaria com anestesia.
Logo chegou a ocitocina, daí pra frente eu perdi um pouco noção do tempo, minutos pareciam horas e que aquele dia não ia acabar nunca. Lembro de ter dito para a doula que eu queria parar por ali, ir para casa e voltar amanhã para tentar novamente, não me lembro direito, mas acho que ela riu, afinal esse não é tipo de coisa que dá pra tentar novamente, não é mesmo, um parto é algo imprevisível, incontrolável…
Foram horas de muita dor, horas de querer fugir e não poder , foi intenso, eu estava sentada no chão e debruçada no sofá ou na cama do quarto. O Dr Edson Rudey pediu para examinar o líquido com um instrumento, eu me neguei, pois não ia conseguir mudar de posição, pois a dor estava quase insuportável, não vou dizer que não. Depois de algumas horas, a sensação era de que eu não iria conseguir parir, algumas vezes até pedi a cesárea para meu marido e doula. Nesse momento, eles foram fundamentais pois me mantiveram firme no objetivo.
Eu já não aguentava mais quando nos questionamos o que dava para ser feito, o Dr Edson Rudey sugeriu estourar a bolsa, questionei quanto tempo demoraria para o expulsivo depois da bolsa estourada, ele disse que provavelmente entre 1 ou 2 horas. Topei, incrédula e desesperada em meio a tanta dor.
Tudo organizado para estourar bolsa, eu que antes estava no chão, fui pra cama, senti um liquido quentinho sair, logo em seguida o Dr Edson Rudey fez exame do toque. Jamais irei esquecer a feição de alegria dele ao noticiar que a bebê havia encaixado e que aquela era hora, ia nascer, finalmente estava acontecendo. Desligaram o ar condicionado, trouxeram o bercinho aquecido, chamaram enfermeiros, lembro de comentarem que novamente a pediatra, dr. Vera, iria ser chamada de surpresa, de repente o quarto estava cheio de gente, eu estava na posição clássica de parir, até tentamos mudar, mas para mim aquela era a mais confortável. De um lado eu apertava os braços do meu marido, do outro o da minha doula.
Nessa hora você não vê ninguém, não importa como você está ou quem está ali, e tinha uma equipe até grandinha ali, mas pouco me importava, eu só queria que acabasse. Até que finalmente saiu, não me lembro de ter ouvido choro, não me lembro de ter sorrido, horas depois o enfermeiro chefe disse que não esqueceria meu rosto, pois a maioria das mães choram e eu espontaneamente sorri, foi tão espontâneo que eu nem me recordo.
Ela havia nascido, eu consegui parir, todo esforço físico e principalmente emocional dos últimos meses havia valido a pena. Colocaram-na no meu colo, no meu peito e ela mais rapidamente começou a sugar, ela já sabia o que eu ainda não conseguia formular: eu me tornei mãe, aquele pequeno ser sem nenhuma coordenação, sem nenhum conhecimento, totalmente frágil e dependente já sabia que precisava de mim. O meu sentimento era algo muito estranho, eu me sentia estranha, sentia que aquela pequenina vida também era alguém estranho…
Depois de umas duas horas dela mamando, uma enfermeira veio buscá-la e outra me ajudar a tomar banho. Logo após o banho, minha filhotinha já estava no quarto. Aquela foi a segunda noite de muitas que quase não dormi, um medo dela parar de respirar, engasgar…
Sobre o parto, demorei algum tempo para elaborar o fato de ter precisado de ocitocina, queria muito que tudo fosse natural, mas olhando pra trás, foi necessário, eu não aguentaria muito tempo, pois não conseguia comer e ficaria fraca…ainda bem que temos recursos e eles devem ser usados quando necessário. Me perguntaram se eu o faria novamente… com certeza, valeu muito a pena!
Parir mexe com nosso interior, somos mulheres, somos capazes, fomos feitas para isso!

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