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Relato Gi Olliotti | Nascimento do Bento

Nascimento com respeito, mãe empoderada, equipe humanizada

Bento nasceu e com ele, nasceu uma nova mãe…

Desde a gestação do Miguel em 2011 havia no meu coração o desejo de que meu filho viesse ao mundo de maneira natural, de parto normal, que fosse no tempo dele, na hora que ele estivesse pronto pra nascer. E naquela ocasião, não aconteceu. Eu tinha pouco conhecimento no assunto, não tinha preparo psicológico (nem físico) e acreditava que bastava chegar ao consultório e dizer ao meu médico que preferia o parto normal e pronto, tudo estaria certo. Infelizmente as coisas não funcionam assim e passei a gestação toda discutindo com meu obstetra a minha escolha por parto. Além da falta de preparo e de informação da minha parte,  não tive uma equipe que apoiasse meu desejo de parto e tudo o que meu medico dizia, eu acreditava, afinal, ele tinha experiência e eu não. Assim, o Miguel nasceu com 39 semanas e 6 dias por uma cesárea, com a indicação de circular de cordão e muito liquido amniótico. Segundo o obstetra, não dava mais pra esperar e com medo de colocar em risco a vida do meu filho, fui pra cirurgia em lágrimas, por não ter tido a oportunidade de sentir nada, não esperar a hora dele. Eu tinha medo da anestesia, da cirurgia, do pós operatório, enfim, eu sabia o que eu não queria pra mim. Cheguei no CC. A sala era fria, eu tremia muito, sentia muito medo e frio. Miguel nasceu com 4140 kg e 51 cm, lindo e saudável. Chorei quando escutei o choro dele e soube que ele estava bem, fiquei aliviada. Ao mesmo tempo sentia uma tristeza, uma coisa estranha, que hoje, entendo o que a falta de ocitocina no nascimento faz. Fui para o quarto e demoraram mais de 4 horas para trazerem o Miguel pra mim. Ficamos tanto tempo longe, quando precisávamos estar muito perto. Quando ele chegou, a enfermeira o colocou no meu peito para mamar, mas o leite não tinha descido, afinal, o corpo leva tempo pra entender que o bebê não está mais lá e produzir leite. Então, o levaram pra longe de mim novamente, para alimentá-lo e eu fiquei ali, chorando, me sentindo incapaz por não ter condições de amamentar meu bebê tão esperado. No dia seguinte, uma enfermeira me disse: “se você não conseguir amamentar você vai ganhar alta e seu bebê não. Você não tem leite, ele precisa se alimentar.” E como é que eu poderia produzir leite? Tão fragilizada? Enfim, passou mais um dia e o leite desceu. Ele pegou o peito, mamou e pudemos ir pra casa, juntos e conectados. O pesadelo hospitalar havia terminado. Agora em casa, com carinho, paciência, com o apoio do meu esposo, amamentei, vivi minha lua de leite e pude criar vínculo com meu bebê, cuidar dele e o amamentar até 1 ano e 4 meses. Vencemos essa etapa!
Essa foi minha história, com o nascimento do Miguel e por muito tempo não conseguia falar disso sem me emocionar. Descobri que nenhuma das indicações de cesárea citadas pelo meu obstetra na época eram indicações reais e que poderia, ter esperado meu trabalho de parto iniciar. Decidi que quando tivesse outro filho seria diferente. Eu precisava resignificar tudo isso. E mesmo antes de engravidar novamente, fui buscar informação e uma equipe humanizada. E Deus foi tão bom comigo que colocou anjos na minha vida de forma tão especial:  Dr Felipe, minha doula Renata, do Maternati e meu obstetra Dr Edson Rudey.

Depois de todo este desabafo, agora sim…o relato do parto do Bento!

Na busca por uma forma diferente de receber meu segundo filho, fui conhecer o Maternati (grupo de apoio a gestantes e mães) e participei de uma roda de conversa. O tema naquele dia era exterogestação e fiquei encantada com a abordagem, a receptividade da Renata e da Mayara e com o conteúdo, que me abriu os olhos. Comecei a me envolver, indicar para as amigas, mesmo sem estar grávida. Mas nesse caminho, ocitocinada, eu engravidei. A primeira coisa que fiz foi dizer a Renata que gostaria que ela fosse minha doula e ela topou. Conversamos muito no decorrer do caminho, fiz o curso de gestante junto com meu esposo e fui me empoderando e ficando mais segura da minha escolha. Eu fazia pré natal com o Dr Felipe e por questões burocráticas, em relação ao meu plano de saúde precisei trocar de obstetra. Decidi então conhecer o Dr Edson Rudey. Eu já estava com 30 semanas quando cheguei até ele. Ele me recebeu com toda a calma, respeito e apoiou minha escolha. Sabíamos que era uma tentativa de parto e faríamos todo o possível pra que desse certo.

Estávamos com 40 semanas e 4 dias de gestação e esperando que o Bento desse sinais de que estava pronto pra nascer. Era dia 27 de maio quando o trabalho de parto iniciou, por volta das 19h30. Eu estava preparada para receber cada contração que viesse, me pra sentir tudo o que fosse necessário pra que corresse de forma natural. As contrações estavam bem próximas uma da outra. Fiquei feliz e animada e avisei a doula Renata, que me orientou ir pro chuveiro. Fiquei meia hora debaixo d’ água e perdi o restante do tampão e fiquei ainda mais feliz pois tinha chegado a hora de conhecer meu filho. As dores seguiram e foram ficando mais intensas. Ficamos em casa, eu, Du, Miguel, minha mãe, contando os intervalos das contrações e esperando a melhor hora pra irmos pro hospital. Por volta das 2 hrs da manhã decidimos ir. A doula foi conosco, em plena madrugada ela estava lá, parceira, calma e atenta. O plantonista me examinou e me orientou a voltar pra casa pois a dilatação estava no inicio e poderia demorar pra engrenar. Voltamos e tentei dormir. Dormi pouco mais de uma hora e acordei com contrações mais fortes. Andei por uns 20 minutos e voltei pra cama. Às 6h20 da manhã, do dia 28, enquanto eu dormia, a bolsa se rompeu…acordei um pouco assustada (e feliz), avisei o Du e fomos pro hospital. A minha doula chegou logo em seguida, internamos e ficamos lá, contando o tempo, as contrações e esperando o trabalho de parto avançar. O Dr Edson chegou, com toda sua atenção, examinou e tínhamos 3 cm de dilatação, ainda faltava muito… As horas foram passando, as dores aumentando, a Renata ali fazendo massagem durante as contrações, me confortando, incentivando e passando alguns exercícios (bola, chuveiro, banqueta), tudo o que era possível fizemos. Às 15 horas, no auge da dor, hora da Misericórdia, recebi a visita mais linda e especial do dia: Jesus Sacramentado. Fiquei em estado de graça por mais este presente. Eu e o Du comungamos, choramos e agradecemos muito a Deus por este carinho, por esta presença viva neste momento. O fim do dia chegou, eu já estava muito cansada, fizemos mais uma avaliação e o quadro era o mesmo, o Bento não encaixou (ele estava de cefálico, mas estava de lado), o quadro não evoluiu. Já haviam se passado 24 horas em trabalho de parto sendo 14 de bolsa rota. Era hora de decidir qual seria o próximo passo. A doula e o Dr Edson saíram e nos deixaram a sós pra decidirmos se íamos continuar tentando ou partiríamos para o plano B. Choramos juntos nessa hora, conversamos com o Bento, explicamos nossa decisão, rezamos e agradecemos a Deus por termos chegado até ali. Por termos respeitado o tempo Dele, o tempo do Bento de nascer, o tempo do corpo pra se preparar e receber o nosso pequeno. Vivemos intensamente todo esse dia, desejamos este trabalho de parto, acolhemos cada dor, recebi cada contração como um abracinho no meu filho, uma dose de ocitocina que fez toda a diferença nas horas que seguiram. Fomos pro centro cirúrgico, com a Renata segurando minha mão o tempo todo, o Dr Edson Rudey super atencioso e cuidadoso conosco. Os dois tinham ficado um dia inteiro ao nosso lado e permaneciam firmes, com um sorriso no rosto. O cenário era outro em relação ao nascimento do Miguel, a equipe era outra e o Du tbm éramos “outros”, mais conscientes e mais fortes. Fui muito bem tratada pelas enfermeiras do berçário, do corredor, do centro cirúrgico. Fui respeitada como parturiente, fui respeitada como mulher. Bento nasceu e foi direto pro meu colo, foi olhado devagar, foi colocado no meu peito pra mamar ali mesmo, dentro do centro cirúrgico. Não tive o parto que sonhei, mas tive o parto possível, o que Deus sonhou pra mim. Me senti cuidada por Ele em cada detalhe, em cada olhar do Dr Edson, em cada abraço da doula, em cada carinho do Du. Quando cheguei no quarto, após a cirurgia,o Bento já estava lá me esperando, lindo e cheirosinho. Meu leite logo desceu, meu filho não teve nenhuma dificuldade em mamar. Todos os hormônios recebidos ao longo desse dia fizeram toda a diferença pra nós dois. E hoje sei o quanto isso vale. Descobri uma força que eu não sabia que eu tinha, suportei dores que nem eu tinha certeza que seria capaz de aguentar… o meu vinculo com meu esposo ficou ainda mais forte, ele tava entregue, lutando comigo a cada etapa e sempre acreditando em mim. O apoio dele fez toda a diferença e serei eternamente grata por tudo isso.
O Bento nasceu de cesárea, após um lindo e intenso trabalho de parto com 4145 kg e 51 cm. Estamos felizes, satisfeitos e tranquilos pois tudo foi colocado nas mãos de Deus e só Ele tem as respostas que desconhecemos. Fizemos nosso melhor, fizemos o que era humanamente possível.

Agradeço a Deus por este dia, ao meu esposo Dú  por seu amor e apoio incondicional, a doula Renata do Maternati ​ pelo carinho e paciência com que cuidou de nós (Re, vc é um presente de Deus) ao Dr Edson Rudey​ que tratou com todo respeito nossa história, ficou ao nosso lado o tempo todo dando o suporte necessário e ao querido amigo Valentin Lacerda​ pela sensibilidade, acolhimento e compreensão.

 

 

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